Reflexão sobre o uso de tornozeleira eletrônica por ex-políticos no Brasil


Às vezes me pego pensando: qual é a real intenção de se permitir que ex-políticos usem tornozeleira eletrônica e ainda assim permaneçam ativos na vida pública, em um Brasil onde as leis parecem cada vez mais fragilizadas? Em muitos casos, figuras públicas com histórico de investigações ou condenações chegam a subir em palanques ou até tomar posse de cargos públicos, usando esse tipo de monitoramento como se fosse apenas um acessório.

O caso recente de Jair Bolsonaro é emblemático. O ex-presidente foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica, está proibido de usar redes sociais e de manter contato com embaixadores, diplomatas e outros réus do Supremo Tribunal Federal. Além disso, terá que cumprir uma espécie de “toque de recolher”, permanecendo em casa das 19h às 7h. Mesmo com essas restrições, há especulações sobre sua possível candidatura nas próximas eleições.

Isso levanta uma pergunta incômoda, mas necessária: como é possível que alguém, sob medidas tão severas, ainda possa almejar um cargo de poder?

Na minha opinião, o Brasil precisa rever com urgência a forma como trata crimes cometidos por políticos. Ao invés de medidas paliativas ou simbólicas, deveriam ser aplicadas sanções realmente eficazes. Em caso de condenação definitiva, o acusado deveria, no mínimo:

  1. Ser impedido de registrar qualquer candidatura, em qualquer esfera.

  2. Ter todos os bens adquiridos de forma ilícita ou durante o mandato devidamente investigados e, se comprovado o desvio, confiscados.

  3. Ficar inelegível para o resto da vida, sem direito a recorrer por vias políticas.

Essas medidas, se levadas a sério, ajudariam a restaurar a confiança da população na Justiça e na política. Um país sério não pode permitir que quem lesou o Estado ou atentou contra a democracia continue a ocupar espaço de poder ou influência. Tornozeleira não deveria ser símbolo de impunidade travestida de punição, mas sim uma etapa provisória em um caminho mais firme rumo à responsabilização real.

Por Edvan Barreto

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