Nos dois primeiros anos do governo Lula, os gastos com viagens oficiais — tanto nacionais quanto internacionais — ultrapassaram a marca de R$ 4,58 bilhões, conforme dados oficiais. Embora parte dessas viagens seja voltada para acordos diplomáticos, comerciais e participação em fóruns globais, o valor chama atenção e levanta questionamentos, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pela população brasileira, em especial nos estados mais vulneráveis.
Não se trata de ser contra a atuação do presidente no exterior ou de negar a importância das relações internacionais. Mas é inevitável o questionamento: seria essa a melhor alocação de recursos em um país com tantas urgências internas?
Um exemplo gritante é o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, a maior unidade de saúde pública do Rio Grande do Norte. Superlotado, o hospital tem recebido pacientes nos corredores, com cerca de 56 pessoas acomodadas de forma improvisada por falta de leitos. A cena se repete dia após dia, revelando o descaso com a saúde pública e a ausência de investimentos estruturais.
Outro caso emblemático é o da dona de casa Leila Tavares, de 44 anos, que há nove anos aguarda por uma cirurgia de reversão de colostomia na rede pública potiguar. A cirurgia, que deveria ter sido realizada quatro meses após o procedimento inicial, foi adiada sucessivamente. Enquanto isso, Leila desenvolveu uma hérnia de disco, agravando ainda mais sua situação e impedindo o uso de bolsas de colostomia tradicionais.
Situações como essas escancaram o abismo entre as prioridades dos governantes e as necessidades da população. Não é razoável que bilhões sejam empregados em deslocamentos presidenciais enquanto brasileiros seguem aguardando o básico: saúde, dignidade e respeito.
Este alerta não visa apenas criticar, mas conscientizar. Enquanto formos administrados por líderes que não demonstram sensibilidade com a realidade do povo, continuaremos a enfrentar o abandono em setores essenciais. A cobrança por transparência, responsabilidade e prioridades alinhadas ao bem-estar da população deve ser permanente — e parte de cada cidadão.
Por Edivan Barreto

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